Quer ser um melhor gestor? Carregue no botão de “pausa”.

Quer ser um melhor gestor? Carregue no botão de “pausa”. 

A gestão que não é examinada não merece ser concebida.

O que nos vem à ideia quando ouvimos a palavra gestor? Alguém muito ocupado. Alguém que passa o dia ao telefone, alguém que tenta resolver todos os problemas quotidianos e alguém com uma agenda sem espaço para respirar. Na imaginação comum o gestor nem respira. Tudo nele é produção, ação, eficácia. Mas, nada está mais longe da verdade no que respeita à boa gestão.

Vivemos numa era em que se confundem duas coisas bem diferentes: trabalho e produtividade. Posso trabalhar, mas não ser produtivo. Quando executo tarefas que podia delegar de forma mais eficiente noutro colaborador, quando perco o meu tempo numa reunião que não está a trazer quaisquer avanços, quando realizo manualmente uma tarefa que podia de forma ágil ser feita por uma ferramenta tecnológica de gestão.

 

Mas posso também ser altamente produtivo quando não estou (supostamente) a trabalhar. Como? Permitam-me que diga: o mau gestor afirma, o bom duvida e o sensato reflete.

 

Quando paro para pensar e refletir sobre o que devem ser os meus objetivos e a forma como os posso alcançar. Sim, o bom gestor tira tempo para pensar. E precisa de tempo. Nem que para isso cesse a execução de tudo o que tem em mãos nesse momento. O bom gestor sabe que sem reflexão caminha sem saber para onde vai. E aquele que não sabe para onde vai, chega sempre lá.

Por ser necessário parar é que, na PHC, pelo menos uma vez por ano, juntamos os líderes das Unidades e simplesmente paramos. Paramos para, nada mais nada menos, do que pensar no que estamos a fazer. Paramos, não para descansar, no sentido contemplativo, mas para apreciar o filtro de ruído e de distrações que o silencio nos oferece. Durante esses dias de reflexão, focamos toda a nossa energia na definição da estratégia para os meses seguintes. Ponderamos e voltamos a ponderar. Encarnamos o papel de pensadores que refletem sobre as suas ideias, percebem onde têm estado errados e voltam a pensar; um ciclo que nos permite perceber para onde vamos e como vamos lá chegar. Traçamos os caminhos e esculpimos as tarefas para os pôr em prática. Planeamos, pomos em causa, perspetivamos o que está por vir. E tentamos fintar um dos piores pendores da gestão: a reatividade.

O mercado é demasiado competitivo, volátil e rápido para sermos apenas reatores de transformações e tendências à escala local e global. O mundo precisa de empresas, precisa de força económica, mas só as que se adiantem, que tenham um plano A, mas também um plano B (e por vezes um C) poderão ser bem-sucedidas. Mas este planeamento só é possível quando carregamos no botão ‘pause’ e pensamos sobre o sentido do que estamos e queremos fazer.

Estar assoberbado com as tarefas diárias e com solicitações múltiplas parece uma inércia empresarial onde parar é um luxo. Mas esta ilusão é algo a que não nos podemos permitir. É justamente o contrário: não nos podemos é permitir não parar para pensar e reavaliar com frequência. Porque um gestor sensato sabe que no mundo volátil em que vivemos, o que é hoje pode já não o ser no dia seguinte, esse mesmo gestor necessita de parar para compreender e decidir.

Se quer ser um gestor melhor, carregue no botão de “pausa”.