PHC Jr/Code: 1 semana a ensinar linhas de código a pequenos (futuros) programadores

23 jovens reunidos numa sala, dispostos a construir um jogo de computador. Premissa: ultrapassar os diferentes níveis, com recurso a uma linguagem (quase) desconhecida – o JavaScript. Balanço: 16 horas de pura programação, em que a diversão foi palavra de ordem. Ocorre-te melhor forma de ocupar o tempo nas férias?

De pequenino… se fomenta o bichinho pela programação. E não somos só nos que achamos. Steve Jobs defendia que todos deviam aprender a programar, porque isso ensina a pensar. Bill Gates ouviu falar pela primeira vez de programação quando tinha 13 anos e, nesse mesmo ano, escreveu um programa para jogar “Jogo do Galo” contra o computador. Mark Zuckerberg acredita que jogar videojogos foi um fator decisivo para a sua carreira de sucesso. Fernando Simões diz que o seu interesse por programação começou aos 9 anos – atualmente tem 13 –, quando jogava “Minecraft”. Não é famoso como os outros, mas, e à semelhança do criador do Facebook, é apaixonado por um dos jogos mais vendidos do mundo, que por acaso até já é utilizado nas escolas para ajudar crianças a pensar na lógica de código. O Fernando ainda não gravou o seu nome na História, mas tem nele todos os sonhos do mundo – um deles é ser programador –, e foi um dos 23 jovens da 3.º edição do programa PHC <Jr/Code>, realizado em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, que contou com a presença de Teresa Bacelar, Vereadora da Juventude, na abertura.

Mas falta-nos falar de Obama, que um dia, algures durante o seu mandato, disse qualquer coisa como “Não te limites a jogar no telemóvel. Programa-o”.  Foi mais ou menos isso que nos propusemos fazer durante esta edição do PHC <Jr/Code> – um projeto de responsabilidade social que tem como objetivo desenvolver competências de literacia digital nas camadas mais jovens. “Recrutámos uma série de rapazes e raparigas – com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos – para virem aprender a programar durante as férias”, explica Ricardo Parreira, CEO da PHC. A lógica por detrás da iniciativa é simples: “Num futuro, não muito longínquo, saber programar vai ser tão importante como saber ler, e nós já estamos a criar esse bichinho nos miúdos”, reforça o CEO. Convencê-los a investir tempo das férias a conjugar o verbo programar podia não ter sido tarefa fácil, mas usámos a melhor “arma” que conhecemos para atraí-los até cá: os videojogos.

 

 “Quem é que aqui gosta de jogar?”

A resposta não se fez esperar, com 23 braços a levantarem-se na hora. Em jeito de isco, a pergunta feita pelos formadores – três programadores da PHC, entusiastas do projeto – tinha outro objetivo implícito. “Programação é tudo o que está por detrás de um jogo”. Estava dado o pontapé de saída para um minicurso de 16 horas sobre linhas de código, que teve como protagonista o JavaScrit. Mentimos. Que teve como protagonista um herói (um objeto) que só respondia a ordens dadas nesta linguagem. “Foi muito interessante observar a reação deles quando escreviam duas linhas de código e viam o herói a fazer o que eles queriam”, partilha um dos programadores. Não sem antes ouvirem falar dos componentes básicos da programação – variáveis, métodos, funções, ciclos –, que se tornaram mais percetíveis assim que carregaram no “start”.

Em comum, todos tratam o teclado por “tu”, mas a tática variava. Uns mais metódicos e disciplinados, que liam e tentavam perceber tudo primeiro, outros que preferiam arriscar, adeptos do método tentativa/erro. Aqueles que, mesmo não percebendo muito bem o que estão a fazer, identificam uma palavra chave e começam a escrever por escrever. O caso do Gabriel, que por entre dentadas em bolachas e sugar de rebuçados, tentava passar de nível. “Ele sabe que tem inimigos, que tem de fugir de uns e matar os outros, só não sabe ao certo como fazê-lo, mas vai tentando”, ri-se um dos formadores. E o facto é que foi conseguindo, como conseguiram todos eles, mesmo quando a dificuldade foi aumentando, porque desistir não estava nos planos. Pelo caminho, alguns incentivos: “Se conseguirmos terminar este nível, o Rui já nos prometeu trabalho aqui na PHC”, solta o Pedro que, no auge dos seus 13 anos, sonha fazer da programação profissão.

Mais do que “lançar a semente” – programar é e será uma competências mais importantes para o futuro do mercado de trabalho – queríamos proporcionar bons momentos, e os sorrisos com que diariamente fomos brindados, são a prova de que conseguimos. Como diz o futebolista Neymar no vídeo “What most schools don´t teach”, “os futuros campeões serão os criadores” e os nossos 23 pequenos (futuros) programadores provaram que potencial não lhes falta. São os maiores a conduzir heróis à vitória, e a curiosidade tratará de fazer o resto.