Histórias incríveis das primeiras instalações da PHC

Falar das primeiras instalações da PHC é falar de enxotar gatos, das reuniões para uma cerveja ou de mudar lâmpadas às vizinhas. É falar de como, estranhamente, uma empresa de software só tinha um computador para todos. Ou de como a internet ainda estava longe de ser um dado adquirido. As primeiras instalações da PHC têm muitas histórias para contar.

Tal como uma banda que começou na garagem e hoje enche estádios, antes de estar em quatro geografias e alcançar a marca dos 200 colaboradores, também a PHC começou num pequeno espaço. Em pleno Cais do Sodré, no coração da cidade de Lisboa, a famosa “rua rosa” estava longe de existir e a nossa empresa dava os seus primeiros passos, nas mãos de estudantes universitários.

Com os recursos reduzidos de uma empresa em início de vida, a sede da PHC resumia-se a uma única sala. Era aí que Francisco Caselli, que havia conseguido escapar-se da tropa, passava os seus dias a programar. Já Ricardo Parreira e Miguel Capelão – ambos a cumprir o serviço militar obrigatório – apareciam, normalmente e quando era possível, ao final do dia, ainda fardados, para dar uma ajuda e conversar sobre o negócio. Eram tempos distintos e que nos relembram em parte as peripécias da sitcom Sillicon Valley.

Depois do Cais do Sodré, seguiu-se a Avenida Infante Santo – conhecida como a primeira morada oficial da empresa. A proximidade de ter uma equipa, ainda pequena, reunida no mesmo espaço dá lugar ao que de melhor levamos do trabalho: histórias para contar.

É de sorriso no rosto, e alguma nostalgia também, que os mais antigos PHCs recordam estes tempos. Recolhemos algumas dessas histórias para partilhar convosco:

 

O Café Crôcô

Se todos guardam memórias diferentes, há uma que todos referem: o café Crôcô. Estávamos no início dos anos 90, uma época ainda sem telemóveis, onde o contacto presencial era previamente combinado e, claro, rigorosamente cumprido. “Eramos jovens, ainda sem família constituída e filhos e, claro, com menos responsabilidade do que hoje. Como os técnicos e os comerciais passavam grande parte do dia fora, para termos a certeza que tudo tinha corrido bem, tínhamos um ritual muito engraçado. Descíamos até ao café Crocô, que ficava por baixo das instalações da PHC, e ninguém arredava pé até que todos os PHCs estivessem reunidos. Aquilo era religioso, ninguém falhava”, explica Cláudio.

A marquise ocupada

O 4º andar na Avenida Infante Santo, um antigo apartamento convertido em escritório, reunia algumas particularidades. Um elevador que avariava muitas vezes, uns “vizinhos” indesejados e uma famosa marquise. “Um certo dia, eu e o Cláudio, decidimos organizar e arrumar a pequena marquise do escritório. Como nós técnicos não tínhamos um espaço para nós, achámos ser um sítio bom para nos instalarmos. Limpámos, arrumámos tudo e colocámos ali uma secretária. Não durou três dias (risos). Os dois programadores gostaram tanto do resultado, por ser um local mais sossegado, que nos roubaram a ideia e ficaram com aquela área”, explica Paulo.

A famosa pintura

Tão famosa como a marquise, a sala de reuniões ainda hoje faz parte do imaginário dos PHCs mais antigos. “Naquela que era a nossa sala de reuniões, tínhamos um mural pintado pela mãe do Ricardo Parreira. Lembro-me que foi nessa sala a minha primeira entrevista e fiquei maravilhado. Era uma pintura lindíssima que impressionava sempre quem nos visitava”, acrescenta.

A vizinhas do lado

Com pouco mais de 10 funcionários, proximidade e partilha eram palavras de ordem. Estreitaram-se laços que duram até hoje e criaram-se memórias agora transmitidas àqueles que vão entrando. “Claro que não tínhamos as condições que temos hoje, mas foram tempos muito divertidos”, diz Francisco. Para além do Crôcô, existem outros pormenores igualmente inesquecíveis. “Recordo-me sempre das nossas vizinhas do lado, duas senhoras já de muita idade, que muitas vezes nos pediam ajuda, fosse para trocar lâmpadas ou ajudar a carregar as compras”, conta Francisco.

Gatos invasores

Mas existiam outros vizinhos menos desejados. “Não poucas vezes, quando chegávamos de manhã, tínhamos de enxotar os gatos de cima do teclado para poder começar a trabalhar. Isto porque existiam alguns gatos no jardim que, durante a noite, acabavam por entrar pela janela e deitarem-se nas secretárias”, acrescenta Francisco.

Computador: um bem escasso

Longe da realidade de hoje, onde tudo está à distância de um clique e todos usamos diversos aparelhos ao mesmo tempo, aqui “só existia um computador, portanto era comum quem o estar a usar ter de parar de programar para, por exemplo, eu poder dar assistência a um cliente e depois continuar o seu trabalho”,  recorda Cláudio.

Sem internet e com apenas um computador, mas com muita paixão pelo trabalho, este por vezes estendia-se. “Houve uma vez em que eu e um colega ficámos a noite inteira a fazer manuais. Já de manhã, saí para ir buscar o pequeno-almoço. Ele, de tão cansado que estava, acabou por adormecer. Quando acordou tinha o teclado do computador todo marcado na cara. Foi muito engraçado”, explica Paulo.

 

Três décadas depois, mudaram as instalações, saíram e entraram novos colaboradores e cada um tem o seu computador, mas há algo que ainda hoje se mantém. “Desde esse tempo até hoje, mantém-se o à vontade e a boa disposição. O espírito livre acompanha-nos desde a Infante Santo até onde estamos hoje”, remata Cláudio.

 

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