Cláudia Raposo: “É a nossa própria paixão que move aqueles que nos seguem”

Seja no gabinete, a falar com os PHCs nos diferentes escritórios da empresa ou em cima do palco do Open Minds – o grande evento anual da PHC, a verdade é que a energia pessoal de Cláudia Raposo se sente à distância. A paixão diária pelo que faz entrecruza-se com a empatia genuína, características que define como essenciais num cargo de liderança.

Cláudia Raposo

Em entrevista, a Chief Operations Officer da PHC assume-se, precisamente, como uma “pessoa de Pessoas” e como líder de proximidade. Com um percurso ímpar na empresa – que começou em 1999 –, Cláudia Raposo partilha os seus segredos para uma gestão de excelência e aponta os benefícios de uma liderança no feminino dentro do sector IT.

 

Comecemos pela raiz de tudo: quando começou o gosto pela área tecnologia?

Agora até parece estranho, mas a tecnologia nem sempre fez parte da minha vida. A curiosidade por este mundo começou quando estava no ensino secundário, no 11º ano. Estava numa fase em que precisava de decidir o meu futuro e, até aí, estava convicta de que seguiria uma área de gestão. Mas o “bichinho” da informática foi surgindo, através de pequenos cursos. Comecei por tirar um curso básico de informática, com noções de Windows, Office e princípios de programação. E a verdade é que gostei tanto que decidi não ir para Gestão de Empresas e acabei por seguir Informática de Gestão. Depois, no fim do curso, tive outro dilema: seguir na área do hardware ou do software?

 

Dado o percurso que se seguiu aqui na PHC, parece fácil adivinhar o vencedor desse ‘duelo’…

Sim, mas na altura não foi uma decisão tão imediata. Como não sabia bem se gostava mais de hardware ou software, decidi experimentar ambas no mercado de trabalho. Trabalhei uns meses em hardware e depois uns tempos em software. Rapidamente percebi que o software me permitia conciliar a informática e a gestão – e isso, para mim, fez todo o sentido.

 

Integraste a PHC em 1999, como tester da qualidade do software. Que recordações levas dessas funções?

Os anos passam rápido, mas a verdade é que já levo 19 anos de casa. Quase duas décadas de PHC. E, ao olhar para trás, este tem sido um percurso realmente incrível. Quanto comecei, testava o que os programadores desenvolviam, colocando-me sempre na pele do utilizador. Desta forma, identificava as melhorias que o software tinha de ter, assim como a documentação que seria necessário criar, para que os utilizadores fossem o mais autónomos possível.

 

Como decorreu a evolução da tua carreira até Chief Operations Officer (COO) dentro da empresa?

Bem, com o passar do tempo foi necessário aumentar a equipa de testadores e acabei por assegurar a coordenação dessa equipa, função que desempenhei durante muitos anos. Mais tarde, assumi a direção de desenvolvimento, onde geria duas equipas: os testadores e os programadores. E, há cerca de três anos, fui convidada para esta função de COO, que até então não existia na PHC.

 

De que forma encaraste estes diversos desafios?

Nunca fui de dizer “não” a desafios. Portanto, gosto de ser desafiada, mesmo que sinta inicialmente alguns receios. Acredito que, com algum esforço e dedicação, conseguimos sempre ultrapassar os desafios. Não há sucesso sem compromisso e, para mim, existem quatro tipos de compromisso: comigo própria, ou seja, com o que quero e da forma que quero; com a minha função, com o que é esperado de mim; com a minha empresa, valores e missão; e com os clientes, que são fundamentais em qualquer negócio.

 

Qual a base para uma gestão de excelência?

Podemos dizer que são várias bases. É essencial aprender sempre. Durante o percurso que me levou a este cargo, aprendi que é fundamental reconhecer os nossos erros e aprender com eles. Mas também é preciso aprender todos os dias alguma coisa com aqueles que nos rodeiam, quer na nossa vida profissional, quer pessoal. Mas, para mim, o fator principal do sucesso é ter uma mentalidade orientada à resolução de problemas. Felizmente, foi algo que desde cedo aprendi aqui na PHC e continua a ser um lema para mim.

 

A liderança e a motivação das pessoas são essenciais para o sucesso de uma empresa. Como trabalhas estes aspetos?

Acredito muito numa liderança pelo exemplo, numa liderança de proximidade e que é a nossa própria paixão que move aqueles que nos seguem. E é isto que pratico diariamente. Passados estes anos, tenho conseguido atingir os resultados que me são propostos e espero conseguir deixar a minha marca em todos aqueles que têm tido a oportunidade de trabalhar comigo. Tem muito a ver não só com ser extremamente apaixonada por aquilo que faço e vestir sempre a camisola, mas também por ser uma “pessoa de Pessoas”. Enquanto líder, as pessoas são, sempre foram e vão continuar a ser o mais importante para mim.

 

Asseguras este cargo de COO no sector IT, muitas vezes associado a um mundo de homens. Nesse âmbito, sentiste alguma barreira à tua liderança?

Não, nunca senti barreiras. Apesar de continuarmos a viver numa sociedade em que os cargos de gestão de topo são maioritariamente ocupados por homens, estamos numa clara fase de mudança. Cada vez mais temos mulheres em lugares-chave nas organizações e cada vez mais os homens se convencem de que somos capazes de fazer um trabalho tão bom quanto o deles.

 

E, por outro lado, ser mulher traz benefícios acrescidos a uma posição de liderança?

A capacidade de liderança não é definida pelo género, mas sim pelas características de cada líder. Temos que admitir que, em regra geral, as mulheres têm alguns pontos a seu favor: possuem uma capacidade de comunicação mais eficaz e próxima dos colaboradores, conseguem criar empatia com mais facilidade e deixam demonstrar os seus sentimentos em tudo o que fazem – o que não significa que não consigam ser objetivas, pragmáticas e assertivas sempre que necessário.

 

Que vantagens traz a igualdade de oportunidades à PHC?

Acredito que apostar numa direção composta por homens e mulheres é potencialmente mais vantajoso para o negócio. Isto porque a diversidade permite contar com a perspetiva feminina e masculina, logo com diferentes pontos de vista a ter em conta no processo de decisão.

 

Que conselhos darias a jovens mulheres que estão agora a iniciar uma carreira no sector tecnológico e que ambicionam um dia chegar a líderes?

Um conselho muito simples: acreditem em vocês mesmas. Não podemos permitir que se continue a desperdiçar o talento das mulheres. Os liderados, hoje em dia, mudam mais rápido do que os líderes e, por isso, temos de gerir as pessoas de forma diferente. Quem ambiciona chegar a líder deve perceber que tem de estar em constante aprendizagem e com um foco nas pessoas. A principal missão de um líder é gerir pessoas.

 

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