8 coisas que deve evitar dizer a quem o vai recrutar

Saiba o que não deve nunca responder a quem o vai recrutar e conheça algumas estratégias para contornar situações particularmente desafiantes.

O seu grande objetivo numa entrevista de emprego é demonstrar a quem o entrevista que é a pessoa certa para a função a que se candidata e que reúne as competências e a personalidade que a empresa está a recrutar.

A estratégia dos entrevistadores é, na maioria das vezes, deixá-lo à vontade para que o possam conhecer como realmente você é. Assim, quando se prepara para a entrevista tenha em atenção que embora a conversa deva fluir de modo natural e com espaço para a espontaneidade, existem respostas que de nenhuma forma são aceitáveis e lhe vão garantir a exclusão da lista de selecionados para a fase seguinte do processo de recrutamento.

 

Saiba o que não deve nunca responder numa entrevista de emprego e conheça algumas estratégias para contornar perguntas de quem está a recrutar e situações particularmente desafiantes.

 

1. “Desculpe o atraso, apanhei imenso trânsito”

Os imprevistos acontecem e é perfeitamente possível que encontre um acidente, que o autocarro avarie ou que no seu atual emprego lhe peçam para entregar um relatório à última da hora. O que tem de fazer nestes casos é ligar para a empresa logo que perceba que se pode atrasar, explicando a situação e tentando perceber se ainda é possível ser recebido nesse dia. Ao longo de todo o processo de recrutamento estará a ser avaliado em relação a um conjunto de critérios fundamentais no desempenho da função e a pontualidade é um dos mais importantes. Quando se atrasa e não dá qualquer satisfação a quem está à sua espera, transmite uma imagem de desleixo, desinteresse e falta de consideração pelos outros. Não se esqueça que o entrevistador reservou essa hora na sua agenda para o conhecer e que vai ficar – no mínimo – irritado por ver o seu tempo desvalorizado por si.

 

2. “Sim”, “não”, “sou”, “concordo”, “talvez”, “pode ser”

Se acha que a melhor resposta para a pergunta “está habituado a gerir vários projetos ao mesmo tempo?” é “estou”, é melhor pensar em respostas mais apropriadas. Até estar frente a frente com o entrevistador, teve de ultrapassar com sucesso várias etapas – escrever o CV e carta de apresentação, responder ao anúncio, estudar a empresa, participar em atividades de grupo ou prestar provas. Investiu muito do seu tempo, tal como o fez o recrutador. Agora que tem a oportunidade de mostrar através de um contacto direto com o entrevistador os motivos que fazem de si a pessoa certa para a empresa, não estrague tudo com respostas que passam uma imagem de desinteresse. Respostas em monossílabos transmitem a mensagem de que o momento não é assim tão importante para si e que está desejoso que a entrevista chegue ao fim. Argumente, pergunte, desenvolva qualquer questão que lhe seja colocada, mostre que está realmente interessado e que aquele emprego é muito importante para si – não se fique por respostas de uma só palavra. Lembre-se de que além de estar a ser avaliado pelo conteúdo das suas respostas, também a forma como se expressa é muito importante e está sempre a ser tida em conta durante a entrevista. Por isso, encare o momento da entrevista como uma oportunidade para mostrar como se expressa e desenvolve o seu raciocínio. Aproveite para contar situações que atestam as suas competências e que vão ao encontro das questões que o entrevistador lhe coloca – se lhe perguntam se tem competências para gerir vários projetos em simultâneo, conte uma situação real em que já o fez.

Evite também respostas como “hmmmm”, “pode ser” ou “ahhhhmmm… acho que sim”, que mostram falta de segurança, mas sobretudo de preparação. O segredo para evitar este tipo de resposta é a preparação. Ensaie, pratique e espere perguntas “fora da caixa”. Mesmo que não tenha todas as respostas na ponta da língua, pelo menos não vai ficar totalmente desorientado com uma pergunta mais desafiante porque já praticou e sabe o que pode esperar de uma entrevista.

 

3. “Eu devo ser escolhido para o lugar porque estou desempregado há muito tempo e já não consigo pagar a prestação do carro”

Necessitar muito de um emprego não é argumento para que seja contratado. A empresa escolhe o candidato porque precisa de alguém com as suas caraterísticas para desempenhar determinada função e não pelo grau de necessidade de cada candidato.

Quando expressa o seu desespero está a retirar o foco de si mesmo e vai fazer com que o entrevistador se concentre mais nos motivos que levam a que precise do emprego do que nas suas qualificações. Concentre-se nas suas competências e naquilo que o torna diferente. Mostre resultados concretos, projetos que realizou com sucesso e os objetivos que traçou para a sua carreira. Mesmo que esteja há algum tempo fora do mercado de trabalho, conduza a conversa para as suas conquistas e para tudo o que tem para oferecer.

Da mesma forma, pedir para “dar um jeitinho” ou fazer apelos como “veja lá o que pode fazer por mim” no final da entrevista, passam uma imagem de que não confia o suficiente nas suas competências e são uma demonstração de desespero que não faz nada por si.

 

4. “Gostar de trabalhar em equipa, não gosto. Mas é preciso, o que se há de fazer?

Mesmo que prefira trabalhar sozinho e que o trabalho em equipa seja um desafio, não o diga. As empresas valorizam cada vez mais as competências relacionais e que mostram que sabe ouvir e é uma mais valia em qualquer projeto pela sua capacidade em lidar com os outros. Ter colaboradores com forte capacidade de trabalho em equipa é vital em qualquer organização e mostrar que não se domina esta competência – mesmo que reúna outras competências técnicas fundamentais – pode ser suficiente para eliminá-lo. Se o trabalho em equipa não é realmente o seu forte, procure cursos e ferramentas – como o coaching ou o mentoring – que o ajudem a desenvolver esta competência tão importante nos dias de hoje.

 

5. “Estou à procura de outro emprego porque o meu chefe atual é uma cobra”

Se procura uma forma rápida e certeira de arruinar a sua imagem, fale mal do seu chefe, colegas ou empresa. Quando isto acontece, a imagem com que ficam de si é a de que se o faz em relação ao emprego passado ou atual, certamente também o vai fazer em relação ao emprego futuro. Se tem realmente uma relação tensa com o seu chefe, não fale sobre isso, focando-se antes na sua vontade de ter novos desafios. Mostre respeito e gratidão por tudo o que aprendeu nas empresas por onde passou. Deixe um tom positivo na entrevista e mostre que é uma pessoa afável, que cultiva bons relacionamentos e com quem é fácil trabalhar.

 

6. “Peço desculpa, deixe-me só atender aqui uma chamadinha”

A não ser que se trate de um caso de vida ou morte – e nesse caso deve começar a entrevista avisando que pode receber uma chamada muito urgente – nunca atenda o telemóvel a meio de uma entrevista. Aliás, deverá colocar o telemóvel em silêncio uns minutos antes de entrar, já que só o facto de ele tocar, já mostra alguma falta de respeito e de preparação. O mesmo é válido para mensagens ou para o simples ato de espreitar para o ecrã, que mostram que a sua cabeça não está totalmente presente no momento. Mantenha o telemóvel sem vibração na mala ou no casaco porque, a não ser que lhe peçam alguma coisa – por exemplo, para agendar uma nova entrevista – que necessite de calendário ou outra ferramenta, não vai precisar do telemóvel durante a entrevista.

 

7. “Adoro a sua camisa”

Por mais informal que seja a empresa ou mesmo que a entrevista esteja a ser descontraída e o tenha deixado à vontade, não perca nunca a noção de que se trata de uma entrevista de emprego. Comentários a roupas ou acessórios pressupõem uma intimidade que não tem lugar nas circunstâncias de uma entrevista e são, no mínimo, desconfortáveis.

 

8. “O que eu gostava mesmo era de casar com o George Clooney e nunca mais ter de trabalhar para o resto da vida”

Uma coisa é ser otimista e positivo e outra, bem diferente, é passar a entrevista a tentar ser engraçado. Não há problema nenhum em mostrar que se tem sentido de humor e até que se consegue com habilidade dar a volta a uma pergunta mais desafiante e deixar um sorriso no entrevistador, mas é preciso ter bom senso. Há poucas coisas tão constrangedoras como tentar ser “engraçadinho” sem sucesso, o que pode facilmente acontecer já que o sentido de humor é muito pessoal e nunca sabemos o que será considerado engraçado para quem está a entrevistar. Além disso, lembre-se que os entrevistadores são profissionais experientes em tudo o que diz respeito a comportamento humano e que o humor é facilmente detetado como uma estratégia para esconder o nervosismo.

 

Tão importante como saber o que deve responder, é ter bem presente o que não deve nunca dizer numa entrevista de emprego. Não se trata de decorar frases ou de estar sempre preocupado com o que não pode dizer, mas sim, de perceber o que significa o momento da entrevista e o que é esperado de um candidato, de quem está a recrutar, em termos de comportamento. Se tiver bem presente a importância de cada etapa ao longo do processo de recrutamento e de que forma está a ser avaliado, dificilmente vai cometer erros básicos que vão comprometer o seu sucesso.

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