Como voltar a apaixonar-se pelo seu emprego

 

Como voltar a apaixonar-se pelo seu emprego

Lembra-se de ter lido o anúncio de emprego e de ter pensado “isto é a minha cara!”? E recorda-se do turbilhão de emoções ao longo do processo de recrutamento, de olhar vezes sem conta para o ecrã do telemóvel à espera que ele (o recrutador, entenda-se) ligasse? E o seu coração ainda dispara quando se lembra do telefonema a dar-lhe os parabéns por ter sido escolhido para a equipa?

E o que dizer do tempo que durou a lua de mel… acordava cheio de entusiasmo para ir trabalhar, tudo era novo e apaixonante e os colegas e projetos arrebatavam-no e tiravam-lhe o sono.

Parecia que finalmente, depois de beijar muitos sapos, tinha encontrado, não apenas mais um trabalho, mas O emprego, aquela empresa e função com que tinha sonhado a vida inteira.

Mas, sem saber muito bem como, a chama foi-se apagando e hoje acorda muitas vezes com a sensação de que talvez exista lá fora algo mais à sua espera, a sua outra metade: o emprego perfeito que o vai fazer feliz para sempre.

Ou talvez não.

Temos tendência – sobretudo a geração mais jovem no mercado de trabalho, que cresceu norteada pela ideia de encontrar a sua paixão na vida – a acreditar que há um trabalho perfeito para nós e que é só uma questão de tempo até o encontrarmos. Se há alguma coisa que não corre tão bem no nosso atual emprego, então é porque não é para nós.

Mas a vida não é uma história de encantar e o trabalho não é exceção. A realidade é que o mais natural é não existirem situações perfeitas. Por vezes, adoramos o trabalho em si, mas não gostamos do ambiente da empresa. Outras vezes, gostamos dos nossos colegas, mas o trabalho não nos desafia. Outras ainda, só tivemos um emprego e mesmo quando adoramos o que fazemos suspiramos pela possibilidade de estarmos a perder alguma coisa que nem sabemos muito bem o que é.

Sim, é importante delinear uma estratégia para o nosso percurso profissional, definir onde queremos estar dentro de 5, 10, 15 anos. E é fundamental sermos honestos connosco próprios e admitir quando chega a hora de pôr fim à relação com a empresa porque o emprego onde estamos simplesmente já não nos dá as oportunidades de desenvolvimento de que precisamos para nos realizarmos.

Contudo, nem sempre sair do emprego onde estamos é a solução ou sequer uma possibilidade. E se é um facto que há muitas coisas que não podemos mudar – o nosso chefe, a cultura da empresa, os nossos colegas –, a boa notícia é que podemos mudar a forma como olhamos para o nosso trabalho.

Acredite: está em grande parte nas suas mãos voltar a apaixonar-se pelo seu emprego.

 

Apaixone-se por si próprio

Tente analisar o impacto do seu trabalho na sua equipa, empresa, clientes e sociedade. Veja para lá das suas tarefas diárias. O objetivo dos seus relatórios não é apenas entregar um ficheiro ao seu chefe: é fornecer dados que ajudam a sua equipa a trabalhar melhor e impulsionam a empresa tornando-a mais competitiva. Tal como um varredor de rua pode pensar que o seu trabalho se resume a tarefas maquinais que ninguém valoriza ou escolher pensar que é graças a si que os moradores daquele bairro têm ruas limpas e bonitas onde dá gosto passear com a família. Se pensar nas consequências do que faz para lá dos objetivos rotineiros, pode ganhar um novo gosto pelo seu trabalho e um sentido de missão que o inspira a ser melhor todos os dias.

 

Aprender a amar

Quando começa um trabalho, a sua mente está extremamente recetiva a tudo o que é novo. Tem vontade de aprender, faz perguntas, sente necessidade de fazer cursos e vê o mundo com uma mente de principiante que lhe permite ser mais criativo, abrir-se a novas perspetivas e possibilidades e libertar-se de ideias pré-concebidas. Tente voltar a esse mindset. Lembre-se do que sentia quando tudo era novidade e a vontade de aprender inesgotável.

Mesmo que já seja um “catedrático” na sua área e que esteja na empresa há anos, há sempre algo novo para aprender. Desafie-se a tentar algo diferente para lá da sua rotina diária. Perceba o que as empresas no sector estão a fazer e inspire-se para introduzir mudanças na sua empresa. Aproveite as horas de formação e faça um curso que o entusiasme. Peça a um colega que lhe explique mais sobre a sua função, aprenda com ele. Se é tímido encare cada interação no escritório como uma oportunidade para desenvolver o seu lado social. Se é um desarrumado crónico, peça umas dicas àquele seu colega que tem as canetas organizadas na gaveta numa escala cromática. Seja curioso e alargue os seus horizontes.

 

Pedir o que se quer

Se não está satisfeito, se quer mais da sua função, fale com o seu chefe – não espere pelas reuniões de avaliação (ou pior, pelo momento de comunicar a sua saída). Proponha projetos, um horário mais flexível, um aumento ou o recrutamento de mais um recurso para o ajudar. Se a sua alternativa é despedir-se, o que tem a perder?

O seu chefe não lê mentes e por mais envolvido que esteja com a equipa, pode não perceber a sua frustração. Se estiver informado pode encontrar formas imediatas de o fazer sentir mais feliz no trabalho. Por vezes, basta ter mais feedback regular ou a possibilidade de participar mais ativamente em projetos para que se sinta mais envolvido e entusiasmado no trabalho – e essas são coisas que o seu chefe pode facilmente resolver.

 

Controlar a relação

Há variáveis que lhe escapam ao controlo, mas há muita coisa que pode controlar – seja simpático, sorria, aprenda a dominar as suas emoções e não se deixe intoxicar por ambientes negativos. Tente ver o cenário completo e não se desgaste por coisas pequenas. A realização no trabalho tem muito mais a ver com perspetiva do que com a função em si.

 

Dar um tempo

Talvez já lhe tenha acontecido sentir-se particularmente frustrado no seu trabalho antes de ir de férias e voltar com uma nova perspetiva depois de umas semanas fora do escritório. Permita-se tempo e distância para pensar e renovar energias. Se passa demasiadas horas no escritório e dedica parte do fim de semana a trabalhar, é altura de parar um pouco, reduzir as horas de trabalho ou tirar umas férias. O cansaço e a falta de quebras não nos dão folga para ver a realidade como ela é e podem assoberbar-nos de tal maneira que não conseguimos criar a distância necessária para avaliar as situações de forma realista.

Mesmo ficando no seu emprego pode encontrar formas de se sentir mais feliz e envolvido no trabalho. A sua descrição de função é apenas um ponto de partida para tudo o que pode fazer se estiver disposto a mudar um pouco a sua perspetiva.